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Escrito acerca de três anos atrás, bem antes d’eu conhecer a inversão proporcional de tudo isto exposto: EVELINE
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Cada palavra; cada ponto; cada vírgula que um poeta expressa tem uma intensidade imensurável de sentimentos, e estes de uma profundeza infinita de sinceridade... de verdade, que transborda situações inimagináveis. Apesar das fantasias, das ilusões e dos devaneios, o poeta é extremamente real, porque tudo que ele vive é real. Ele vive o que ele sente; e sente conforme percebe a beleza da coisa admirada. O poeta não simplesmente mira um alvo e o elege como inspiração. Não. O poeta é um “sentidor”; um observador de larga imaginação. E nesses imaginares e “sentidores” ele transfere para um papel toda a magia contida em seus pensamentos metrificados em versos e rimas. É... “o poeta é um fingidor...” mas, aquela dor “que deveras sente” não abranda a sua vicissitude de criar, pelo contrário, coloca fogo em seus sonhos e imaginação.
Pois é... eu sou poeta. Sou um poeta da dor, já deves ter percebido. Eu choro em minhas poesias; eu choro em minhas crônicas; eu mergulho em pesadelos medonhos voluntariamente buscando saídas para um aconchego, que observo, parece nunca irá chegar; eu me derreto em frases bem elaboradas com ritmos e coesão que deságua em lágrimas e em amarguras secretas que só posso divulgar através de orações: orações coordenadas ou subordinadas... orações de palavras criadas ou copiadas... orações de dor e de absoluta solidão.
Não faço versos para passar o tempo; não escrevo para esquecer alguém que vicio não mais encontrar; não escrevo para lembrar de pessoas em folhas corridas de saudades ou paixão. Escrevo tão somente para desabafar comigo mesmo o que está retido em minha mente, e conseguir assim entender a razão do meu pesar... do meu viver. Pois são nestas linhas tortas de sabores solitários que me encontro de vez em quando e convido-me para tomar uns copos ardorosos de uma bebida agradável composta por verbos; adjetivos e sonoros versos de amor. Sim, sonoros mesmo. Pois escuto cada palavra escrita ou digitada; escuto de uma maneira tal, que as letras são soletradas musicalmente em forma de canções graciosas a adentrar os meus tímpanos que acabo por compondo minha solidão e tristeza em cada fonema exposto em escritas ou escutado. Sou sim, um poeta amado pelo meu íntimo que me acompanha nessas horas de criação. Sou sim, um poeta embriagado pelo desejo de escrever e de me penetrar no peito desconhecidamente apaixonado e nem sei por quem. E acima de tudo, sou sim, um poeta lúcido e só, que se acostumou a dividir sua cama apenas com suas letras e composições e a ser assim, inegável e opcionalmente sozinho.
(WALDISNEY F. BURGUEIS)

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