E...

O ELETRON QUE NÃO INCIDE, NÃO TUNELA.

Estão aqui contidos, partes de momentos amiúde de meus pensamentos tresloucados e absurdamente sentidos; estão aqui, pormenores de indelicadezas e sentimentalismos transformados em letras sofridas, ofendidas ou atacadas e por fim, estão aqui contidos em sua mais ampla definição "o todo falho" do que poderia ser os meus versos humildemente carentes em retalhos de palavras verificadas e consertadas devido a ignorância em mim estabelecida.

(WALDISNEY F. BURGUEIS)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

JOSÉ SARAMAGO

No dia 18/06/2010, amanheci um pouco menos feliz, aliás, o pós amanhecer me fez assim. Somente agora, tive a lucidez e a sobriedade necessária para escrever a respeito. Como todos os literatos já sabem, fomos surpreendidos pelo sumiço físico do mestre José Saramago, que aos 87 anos de idade, daqui, se desfez. Lembro-me da1ª vez que li algo desse indescritível poeta, pois ele não é escritor, é poeta (devido à lisura e maestria de suas palavras que encantam) onde eu não conseguia encontrar um trema, uma exclamação, uma interrogação, um ponto e vírgula... nada. Apenas as pausas, vírgulas e pontos finais. Aquilo me deixou estupefato! Critiquei. Como um "escritor" que havia ganhado o prêmio Nobel de Literatura escrevia tão sem prendimento às regras básicas da ortografia da língua portuguesa?! Confesso que foi uma frustração extrema. Depois, ainda levado pela curiosidade de ler o premiadíssimo "escritor", tentei mais uma vez ler a sua obra. Mais precisamente a mesma que anteriormente havia repudiado pelas faltas dos códigos. Enfim, O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO de Saramago, acabou sendo sem dúvida, juntamente com DOM QUIXOTE e o MUNDO DE SOFIA, as maiores obras literárias que já tive o prazer de ler. Na obra de Saramago mais especificamente, ficou dirimido para mim, que meramente o mestre da língua portuguesa reinventou uma antiga fórmula de escrever. Como ele iria falar sobre a bíblia na perspectiva de Jesus, não teve receio em escrever na metodologia simbólica do Latim, onde não existem os códigos que eu supramencionei. Saramago imediatamente me impressionou. Com um estilo deveras inteligente, ele mexe com pensamentos, contraria dogmas, teorias e percepções alienadas de seguidores religiosos que se negam a compreender a vida ao seu redor. Saramago, que era ateu, nunca sequer questionou a crença das pessoas. Ele falava que não era um ateu completamente; que buscava diariamente a existência de Deus; que de tanto as pessoas falarem que Deus estava presente em tudo, ele observava isso sempre, mas não conseguia ver o que a maioria da população mundial via: A EXISTÊNCIA DO TODO PODEROSO. Agora, certamente muitos devem estar comentando sobre a sua crença, ou a ausência dela; fazendo críticas, "crucificando" (seria até uma ironia), e concluindo talvez, que agora ele verá se existe Deus ou não. Enfim, José Saramago mudou a minha vida de leitor. Imaginei até parafraseá-lo algumas vezes. Nunca fui tolo em arriscar. Notei que a leitura de seus poemas; de seus escritos não se encaixava em best-sellers ou leitura de passa tempo ou dinamismo. A sua leitura é algo personificador, reestruturante sem ser auto-ajuda, esclarecedor e faz a gente enriquecer nossas opiniões e atitudes sem querer tirar a nossa autonomia em pensar. José Saramago talvez fosse hoje, a personalidade "viva" da literatura mais admirada no mundo. Não simplesmente pela quantidade de livros que ele vendera, mas sim, pela qualidade das letras neles empregadas. J.S será memorial eterno de qualquer leitor não bitolado levado ao modismo e célebre patrono da literatura mundial para sempre. Está sim, entre os grandes escritores e poetas universais; seria, por que não, o presidente da Acadamia de Letras Mundial, universal... celestial, diretamente como mentor, sem exageros e nem alfinetadas. Por isso estou um pouco bastante triste ou menos feliz pela sua ausência. Tenho a morte de José, como o chamado para aqueles que nunca o leram, a vir a ler e observar a grandiosidade de sua obra, independente de crença ou credo. Verão que as palavras tecem o papel e embriagam os olhos; verão que o mestre das letras é de fundamental importância para a decência da vida saudável literária na terra. Bem, Monteiro Lobato um dia falou: "um país se faz com homens e livros". Vendo o interesse imprestável que o brasileiro tem por livros, até me angustia acreditar que o exposto nessa frase possa ser verdade, mas não deixa de ser bacana. Eu, porém, a reescrevo se me permitem: " um país se faz com homens e Josés Saramagos". A metonímia diz tudo. DESCANSE EM PAZ MESTRE.

Obrigado ao Ex-soldado Braúna, hoje bancário do Banco do Brasil por ter me apresentado o livro "O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO" e depois ter me emprestado "O HOMEM DUPLICADO" e " ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA". Três livros fantásticos do J.S. Creia, essas obras me ajudaram a ter noção dos porquês das minhas opiniões e saber me comportar perante as pessoas que não conseguem compreender. MUITO OBRIGADO IRMÃO.

WALDISNEY F. BURGUEIS

"Os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as sentenças de almanaque, os rifões e provérbios, tudo pode aparecer como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente as palavras que estejam antes e depois." (J. SARAMAGO)

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